Brics propõem regras globais para uso da IA com foco em direitos autorais

Os líderes dos países do Brics divulgaram uma declaração oficial sobre inteligência artificial durante a cúpula do grupo no Rio de Janeiro. O texto propõe uma governança global da IA baseada na Carta da ONU, com foco na proteção da propriedade intelectual e mecanismos de remuneração justa. Entre os compromissos, estão o respeito aos direitos autorais, a preservação da privacidade, e a inclusão de países em desenvolvimento no processo de regulamentação internacional da tecnologia.

O grupo, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, também defende que cada país tenha liberdade para criar suas próprias regras sobre IA, desde que guiadas por princípios éticos, segurança digital e equidade. A declaração menciona ainda preocupações com extração abusiva de dados, impactos no mercado de trabalho, sustentabilidade ambiental e a necessidade de ampliar o acesso à tecnologia em regiões com menos infraestrutura. A matéria é do G1 e pode ser lida na íntegra no link abaixo.

🔗 Leia na íntegra: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/07/06/brics-declaracao-sobre-inteligencia-artificial-preve-respeito-a-soberania-e-melhoria-na-vida-das-pessoas.ghtml

Deezer lança o primeiro sistema de marcação de IA do mundo para streaming de música

A Deezer lançou o primeiro sistema de marcação por inteligência artificial (IA) do mundo para o mercado de streaming de música. Segundo Jesper Wendel da Deezer Newsroom, o objetivo é exibir de forma transparente quais álbuns incluem faixas totalmente geradas por IA. A plataforma detecta cerca de 20 mil faixas assim por dia — o equivalente a 18% de todos os uploads —, e estima que 70% das transmissões dessas faixas são fraudulentas. A empresa afirma que esses streams são desconsiderados no pagamento de royalties e que as faixas de IA estão fora de suas recomendações algorítmicas e editoriais.

A iniciativa surge num momento em que os direitos autorais de criadores estão no centro do debate global sobre o uso de obras no treinamento de modelos de IA. A Deezer destaca seu compromisso com a transparência, a proteção aos artistas e a regulação ética da tecnologia. De acordo com um estudo da CISAC e da PMP Strategy, até 25% da receita dos criadores pode estar em risco até 2028 devido ao avanço da IA — um possível impacto de até € 4 bilhões para o setor musical.

Link: https://newsroom-deezer.com/2025/06/deezer-launches-worlds-first-ai-tagging-system-for-music-streaming

Reino Unido anuncia investimento de R$223 milhões na indústria musical

O governo do Reino Unido anunciou um investimento de até £ 30 milhões (cerca de R$ 223 milhões) na indústria musical local. Segundo matéria publicada pela Billboard Brasil, o valor será distribuído ao longo de três anos e faz parte do Plano do Setor de Indústrias Criativas, que será detalhado em um novo relatório da Estratégia Industrial do país. O objetivo é impulsionar turnês nacionais e internacionais, ampliar as exportações e fortalecer pequenos locais de apresentação.

O plano também inclui medidas voltadas à proteção dos direitos autorais e à valorização da propriedade intelectual, como a criação da plataforma Creative Content Exchange — um mercado digital para compra, venda e licenciamento de ativos culturais. Além disso, está prevista a mediação de acordos sobre streaming musical, com foco em melhorar a remuneração de músicos contratados.

Link: https://billboard.com.br/reino-unido-investimento-milhoes-industria-musical/

A agência Africa ganha um dos mais importantes prêmios da publicidade, com campanha para Budweiser, em Cannes, com campanha que destaca o uso de músicas iconicas sem pagamento de direitos autorais.

A campanha da Budweiser foi criada para atingir os “0,5% de fãs de verdade” — aqueles capazes de reconhecer uma música em apenas um segundo. O lançamento foi feito no TikTok, uma plataforma onde “tudo acontece muito rápido”. Em vez de criar mais um comercial de 30 segundos que seria ignorado, a marca optou por uma série de anúncios de apenas um segundo, com slogans como “POV: você está doomscrollando à noite”.

Segundo o site Complete Music Update, em matéria de Sam Taylor e Chris Cooke, a Budweiser parece ignorar que esses fãs mais apaixonados por música provavelmente também se importam com a remuneração justa de artistas e compositores. Mesmo assim, a marca afirma que seus anúncios usam “o mínimo necessário para que os fãs reconheçam uma música” — o que, segundo eles, é também “o máximo permitido sem pagar direito$ autorai$”. (Sim, com cifrões mesmo.)

Leia na íntegra: https://completemusicupdate.com/budweiser-boasts-of-0-spent-on-music-rights-in-iconic-songs-campaign-wins-ad-lands-biggest-prize/

A campanha, veiculada no Brasil, foi criada pela agência Africa DDB e, segundo uma declaração efusiva de Xolisa Dyeshana , presidente do júri do Cannes Lions que concedeu o prêmio, é “excepcionalmente criativa”. Ela continua: “É inovadora e aproveitou o poder da música, que é uma das maiores paixões dos consumidores”, antes de acrescentar: “do ponto de vista da eficiência, por um segundo de anúncio você não precisa pagar direitos ou publicidade”.

Segundo publicação da Lions Daily News “Houve outro benefício para a marca com isso. “Do ponto de vista da eficiência, por um segundo de anúncio você não precisa pagar direitos autorais nem de publicação,” disse Dyeshana. “Uma solução eficiente e divertida.”

link: https://www.lionsdailynews.com/post/brilliant-bud-ads-scoop-audio-radio

Fico imaginando o que levaria uma agência tão importante quanto à Africa pensar que poderia usar várias músicas importantes, com agravante de ser publicidade de bebida alcoólica (lembrando que são as duas maiores restrições para uso de música em campanhas publicitárias, bebida alcoólica e cigarros) sem pagar direitos autorais aos criadores. Sempre que fazemos o clearance aqui na MCT alertamos aos nosso clientes sobre riscos desnecessários.

Suno aprimora editor de músicas com IA em meio a negociações com gravadoras

A plataforma de criação musical com inteligência artificial Suno, atualmente enfrentando processos por suposta violação de direitos autorais, anunciou nesta terça-feira (3) novas atualizações no seu Song Editor. Agora, a ferramenta permite aos usuários fazer upload de faixas em andamento (work-in-progress), reorganizar ou remixar o material, alterar letras, e iniciar novas composições a partir de um texto ou melodia cantada. O editor também ganhou três novos controles criativos que ajustam o nível de experimentalismo (“weirdness”), a estrutura e o grau de referência a estilos já existentes (reference-driven). A duração máxima das faixas foi expandida para até oito minutos, e é possível exportar até 12 stems (como vocais, bateria e baixo) para uso em qualquer DAW (estação de trabalho de áudio digital).

Segundo o Music Business Worldwide, essas atualizações ocorrem em meio a negociações entre a Suno e as principais gravadoras — Sony Music, Universal Music Group e Warner Music Group. As gravadoras estariam exigindo uma tecnologia de identificação similar ao Content ID do YouTube, para rastrear como e quando suas músicas são usadas pelas plataformas de IA. Também pedem participação ativa no desenvolvimento de produtos e modelos de negócios, além de taxas de licenciamento e uma pequena participação acionária nas startups envolvidas. Enquanto isso, seguem os processos judiciais movidos contra Suno e sua concorrente Udio, nos quais as gravadoras alegam que ambas treinaram seus modelos com músicas protegidas por direitos autorais — algo que as empresas afirmam se enquadrar na exceção de fair use (uso justo).

“Em resposta aos processos judiciais de agosto passado, a Suno e a Udio praticamente admitiram ter treinado seus modelos de IA em músicas protegidas por direitos autorais, mas argumentaram que isso deveria ser visto como uma isenção de “Fair use” às leis de direitos autorais.”

“As gravadoras de propriedade da

Sony , Universal e Warner entraram com ações judiciais

no ano passado , alegando “violação em massa de gravações sonoras protegidas por direitos autorais” e oferecendo evidências de que, quando solicitados, os geradores de música reproduzirão músicas e letras muito semelhantes, se não idênticas, às músicas existentes.”

📎 Leia a matéria completa aqui:
https://www.midiaresearch.com/blog/20-years-ago-labels-targeted-fandom-will-it-work-the-second-time-around

Gravadoras em negociações com plataformas de música por IA, Suno e Udio

A Universal Music, Warner Music e a Sony Music estão em negociações para licenciar seus catálogos às startups de IA Udio e Suno, de acordo com um novo relatório da Bloomberg. Os acordos estabeleceriam uma estrutura sobre como as empresas de IA devem pagar pelo uso dos fonogramas. Além disso, as gravadoras estão buscando receber uma pequena participação acionária na Suno e na Udio.

Qualquer acordo ajudaria a resolver os processos judiciais entre as gravadoras e as startups de IA. As gravadoras processaram a Udio e a Suno no ano passado por violação de direitos autorais. Ambas as partes estão em negociações para tentar chegar a um acordo, em vez de continuar com as disputas judiciais.

Segundo o relatório, as gravadoras majors buscam ter mais controle sobre o uso de seus catálogos, enquanto as startups de IA querem flexibilidade para uso.

Há 20 anos, as gravadoras miravam nos fãs. Será que vai funcionar pela segunda vez?

Diferente do cenário de 20 anos atrás, artistas agora têm mais autonomia, plataformas próprias e influência nas negociações. Ao mesmo tempo, as grandes gravadoras já possuem melhor estrutura para atuar nesse novo modelo, com divisões de merchandising, parcerias com plataformas de fãs e até funções específicas como gerentes de comunidade artística. Em 2023, os acordos expandidos representaram 10% do mercado da música gravada, gerando US$ 3,5 bilhões. A expectativa é que esse número cresça ainda mais em 2024.

Com as maiores gravadoras posicionando a monetização dos fãs como crucial para o seu futuro, é um bom momento para relembrar o passado. O que aconteceu da última vez que a indústria musical buscou a expansão dos direitos — e o que pode mudar agora?

1. Alavancagem

Nos anos 2000, as gravadoras argumentavam que mereciam ver mais retorno sobre seus investimentos na construção de marcas de artistas. Assim como hoje, os esforços das gravadoras para divulgar e revelar novas estrelas frequentemente levavam esses artistas a fechar contratos com marcas e turnês massivas – mas as gravadoras normalmente não compartilhavam desses ganhos. Na época, as gravadoras tinham forte influência para exigir sua parte. A internet ainda não havia se tornado uma força democratizadora para a distribuição de música, e um contrato com uma gravadora ainda era um pré-requisito para qualquer tipo de sucesso significativo.

2. Capacidade

Para tornar realidade seus sonhos de monetização de fãs, as gravadoras podem precisar assumir mais riscos – trabalhando com os artistas mais cedo e investindo recursos na construção de suas bases de fãs desde o início, em vez de se precipitar para monetizar uma vez que essas bases já estejam formadas. Este é um desafio para as grandes gravadoras de capital aberto, que estão sob pressão para apresentar retornos trimestrais de suas estratégias de monetização de fãs – o que dificilmente seria tempo para uma jornada de 10 anos de desenvolvimento de artistas e fãs. Apesar desses desafios, no entanto, a mudança para o fandom pode ser uma força positiva – incentivando as gravadoras a nutrir e desenvolver jovens talentos e se concentrar em ajudá-los a conquistar apoiadores fiéis, em vez de públicos passivos.

3. Alternativas

Com o aumento das receitas de streaming na década de 2010 e o pânico da virada do século se dissipando, os acordos de direitos expandidos ficaram em segundo plano. Com esses direitos deixando de ser pontos críticos, as gravadoras voltaram sua atenção para termos que lhes dessem uma fatia maior da receita de seu verdadeiro gerador de receita: o streaming. Como resultado, nunca vimos a história dos direitos expandidos se concretizar de fato na primeira vez.

📎 Leia a matéria completa aqui:
https://www.midiaresearch.com/blog/20-years-ago-labels-targeted-fandom-will-it-work-the-second-time-around

 

A briga pelo brega: Recife e Belém travam duelo no Congresso para decidir qual é a capital nacional do estilo

A disputa ganhou os corredores do Congresso. Segundo Lucas Altino do jornal O Globo, o Senado aprovou na última semana um projeto de lei que reconhece Recife como Capital Nacional do Brega. Mas a decisão gerou reação imediata de Belém: o senador paraense Beto Faro entrou com um recurso para levar o tema ao plenário, defendendo que a cidade também seja reconhecida. Ambas têm fortes raízes no gênero que exalta o amor sofrido — com nomes como Reginaldo Rossi e MC Loma, no Recife, e Calypso e Gaby Amarantos, em Belém.

Gênero musical que não se envergonha de bradar a infelicidade amorosa e se tornou motivo de orgulho para as duas capitais vive disputa por ‘paternidade’.

A polêmica mobiliza artistas, pesquisadores e o público. Especialistas afirmam que o brega floresceu simultaneamente nas duas cidades, cada uma com identidade própria: enquanto Recife desenvolveu o bregafunk com influência seresteira, Belém impulsionou o tecnobrega e as festas de aparelhagem. O debate, embora simbólico, evidencia a força cultural e econômica do gênero no Brasil. O projeto ainda aguarda decisão final.

Entenda as diferenças entre os bregas:

Recife: O brega surgiu pela seresta e as canções românticas, até chegar no brega funk. O instrumento principal é o teclado. Na estética, a influência maior é a do forró, com o uso de dançarinos nos grupos.

Belém: É centrado na aparelhagem e nos ritmos latinos, com a “guitarrada”, famosa nas mãos de Chimbinha, do Calypso, que, como banda liderara por um homem e uma mulher, tinha a formação clássica no Pará.

🔗 Leia mais em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2025/05/20/a-briga-pelo-brega-recife-e-belem-travam-duelo-no-congresso-para-decidir-qual-e-a-capital-nacional-do-estilo.ghtml

SoundCloud recua e protege artistas contra uso indevido de IA

Após críticas intensas da comunidade musical, o SoundCloud anunciou mudanças importantes em sua política de uso de inteligência artificial. Em fevereiro de 2024, a plataforma havia atualizado seus Termos de Uso permitindo, sem consentimento prévio, o uso de conteúdos dos artistas para treinar tecnologias de IA. A reação foi imediata e negativa, levando o CEO Eliah Seton a se pronunciar nesta terça-feira (14/05), garantindo que o conteúdo dos usuários não será utilizado para treinar IA generativa sem autorização explícita.

Segundo o Music Business Worldwide, o SoundCloud reformulou os termos e se comprometeu com uma abordagem baseada em “consentimento, transparência e controle do artista”. A medida é considerada uma vitória para quem defende os direitos autorais e o uso ético da IA na música. “A IA deve apoiar os artistas, não substituí-los”, reforçou Seton em carta aberta. A mudança vem em um momento crucial, com artistas e entidades pressionando por mais segurança jurídica diante do avanço acelerado das tecnologias de IA.

📎 Leia a matéria completa: https://www.musicbusinessworldwide.com/soundcloud-fixes-ai-policy-following-backlash-ceo-eliah-seton-says-ai-should-support-artists-not-replace-them/

Steve Stoute quer fazer do Brasil o maior mercado de música independente do mundo

O empresário Steve Stoute, ex-executivo da Sony e Interscope e fundador da UnitedMasters, está investindo no Brasil com um objetivo ousado: transformar o país no maior mercado de música independente do mundo. Segundo a Billboard Brasil, a UnitedMasters, que une tecnologia, dados, publicidade e distribuição musical, acaba de lançar sua operação brasileira. Com planos acessíveis e foco na autonomia criativa dos artistas, a empresa promete democratizar o acesso à indústria e ampliar o protagonismo de artistas de todas as regiões e origens sociais.

Disse:

“O trap brasileiro, por exemplo, é uma coisa linda. Tem o peso do trap de Atlanta, mas com identidade própria, com sotaque, com cor. A cultura daqui é vibrante, é potente. Isso não pode ser ignorado.
Taisa Rennó, ex-Universal e Sony, lidera a operação no Brasil, com uma proposta inclusiva: hoje, mais de 70% dos artistas exclusivos da UnitedMasters no país são negros e 50% são mulheres. A executiva destaca o compromisso com diversidade e autenticidade também nas parcerias com marcas. Em breve, a plataforma deve lançar um recurso com inteligência artificial para auxiliar na criação de estratégias de marketing baseadas no comportamento dos fãs. “O Brasil tem tudo para liderar essa nova fase da música global”, afirma Stoute.

📎 Leia a matéria completa: https://billboard.com.br/ele-quer-fazer-do-brasil-maior-mercado-de-musica-independente-do-mundo/

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