IFPI aplaude decisão ‘histórica’ de tribunal brasileiro em caso de fraude de streaming

Um tribunal de São Paulo determinou que a empresa Seguidores Marketing Digital interrompa imediatamente a venda de seguidores, curtidas e streams falsos em plataformas como Spotify, YouTube, TikTok e Instagram. A decisão, considerada “histórica” pela IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica), é a primeira sob a Operação Authentica, iniciativa liderada pelo Ministério Público de SP para combater a manipulação de dados em plataformas digitais. A empresa foi responsabilizada por publicidade enganosa, fraude ao consumidor e violação de normas constitucionais, sendo obrigada a suspender seus domínios e indenizar pelos danos causados.

Segundo matéria da MBW, escrita por Mandy Dalugdug, essa ação judicial representa um avanço significativo no enfrentamento às fraudes de streaming no Brasil — prática que prejudica artistas legítimos e distorce métricas da indústria musical. Além de proteger os direitos autorais, a decisão também fortalece a defesa do consumidor diante de práticas inorgânicas. A operação vem sendo apoiada por entidades como IFPI América Latina, APDIF e Pro-Música Brasil, e faz parte de um esforço mais amplo que já derrubou dezenas de serviços ilegais desde 2020. Para o setor musical, trata-se de um marco jurídico importante no combate à desinformação digital e à monetização injusta dentro do ecossistema da música online.

Link da matéria:https://www.musicbusinessworldwide.com/ifpi-applauds-landmark-brazil-court-ruling-in-streaming-fraud-case-under-operation-authentica-initiative/

Netflix negocia com Spotify em projetos como prêmios musicais e séries de shows

A Netflix e o Spotify estão em conversas para possíveis colaborações envolvendo conteúdos musicais, incluindo uma premiação, séries de shows ao vivo, entrevistas com artistas e documentários com foco em relevância imediata. As negociações, reveladas pelo Wall Street Journal em 2 de julho, indicam o interesse mútuo das duas plataformas em fortalecer sua presença no mercado de entretenimento musical, especialmente com produções originais e eventos ao vivo.

A possível parceria entre os gigantes do audiovisual e do áudio coincide com o investimento crescente do Spotify em conteúdo em vídeo e com os planos da Netflix de ampliar sua atuação na música. A plataforma de vídeo prepara o lançamento de novos reality shows musicais, como Building the Band, e tem apostado em nomes experientes como Jeff Gaspin (ex-The Voice) para liderar essa estratégia.

Link da matéria: https://www.musicbusinessworldwide.com/netflix-in-talks-with-spotify-on-projects-like-music-awards-live-concert-series-report/
Escrita por: Mandy Dalugdug
Foto: Venti Views/Unsplash

Por que o rock está prosperando na era do streaming

Apesar dos prognósticos pessimistas de figuras como Gene Simmons (Kiss), o rock está vivendo um novo ciclo de ascensão no cenário musical, impulsionado pelas plataformas de streaming e pelas redes sociais. Relatório da Luminate aponta que, em 2025, o rock é um dos gêneros que mais crescem nos EUA, superando estilos como o country e o rock latino. Bandas como Sleep Token, Ghost e Wet Leg vêm alcançando posições expressivas nas paradas da Billboard e no Reino Unido, enquanto nomes consagrados como Led Zeppelin e Creed ganham fôlego renovado graças à viralização no TikTok e ao lançamento de documentários.

Segundo Ethan Millman, em matéria no The Hollywood Reporter, especialistas da indústria destacam que a descoberta algorítmica, o apelo nostálgico e a busca por autenticidade estão entre os fatores que reacenderam o interesse pelo gênero. O público jovem tem diversificado os hábitos de consumo, equilibrando clássicos e novidades em seus streamings, e as bandas têm se adaptado com estratégias de lançamentos fragmentados, turnês imersivas e presença digital criativa.

Link da matéria: https://www.billboard.com/pro/will-ai-music-content-creators-compete-traditional-artists/

Como o streaming de música se tornou um foco de fraude e falsificação

A crescente onda de fraudes em plataformas de streaming está afetando diretamente artistas independentes, muitos dos quais estão sendo injustamente penalizados por picos de audiência atribuídos a manipulação de dados. Fraudadores têm utilizado músicas geradas por inteligência artificial, bots e fazendas de cliques para gerar receitas de royalties, explorando brechas nos sistemas de detecção automática. Isso tem levado a remoções de faixas legítimas, sem aviso ou possibilidade clara de apelação, afetando diretamente o trabalho e a renda de músicos reais. A Deezer estima que, só em abril, cerca de 20 mil faixas feitas por IA foram inseridas diariamente, o dobro de janeiro, e distribuidoras como a Fuga já destinam metade de seus recursos para lidar com esse tipo de atividade.

Segundo matéria do The Guardian, escrita por Eamonn Forde, o problema evidencia uma fragilidade estrutural nos processos de moderação e detecção de streamings artificiais nas grandes plataformas. Distribuidoras e serviços como Spotify e Apple Music adotam medidas rigorosas, mas muitas vezes imprecisas, levando artistas a serem punidos sem provas claras de fraude. O risco de remoção indevida, somado ao custo de reenvio e à dificuldade de contestar decisões, está pressionando músicos independentes a repensarem sua permanência nessas plataformas.

Link da matéria: https://www.theguardian.com/music/2025/jun/03/ai-bot-farms-and-innocent-indie-victims-how-music-streaming-became-a-hotbed-of-and-fakery

‘Porta-voz’ da banda de IA Velvet Sundown agora diz que tudo era uma farsa

Andrew Frelon, que se apresentava como representante da banda viral Velvet Sundown, agora afirma que tudo não passou de uma fraude artística. Ele revelou que inventou a história e usou a atenção da mídia como estratégia de marketing. A própria página da banda no Spotify nega qualquer vínculo com ele.

A Velvet Sundown, que surgiu do nada com mais de 500 mil ouvintes mensais, foi criada com a IA generativa Suno, mesmo após negar repetidamente o uso de inteligência artificial. Frelon admitiu que algumas faixas foram feitas com IA e usaram vozes artificiais — o que reacendeu o debate sobre música sintética nas plataformas.

A ascensão relâmpago da banda levantou suspeitas de manipulação de playlists. Um relatório apontou que a maioria das listas com faixas da banda vieram de apenas quatro contas.

O Spotify, por sua vez, não tem regras contra músicas feitas por IA. Glenn McDonald, ex-alquimista de dados da plataforma, afirma que os sistemas de recomendação se afastaram da curadoria humana e passaram a sugerir músicas com base apenas em suas características de áudio — o que favorece esse tipo de experimento digital. “Não há proteções contra isso — e talvez, comercialmente, nem seja algo que o Spotify queira evitar.”

Fonte: Rolling Stone, 2 e 3 de julho de 2025.
Foto: Vevelt Sundown/reprodução/Instagram
Link: https://www.rollingstone.com/music/music-features/velvet-sundown-ai-band-suno-1235377652/

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