Caríssimos,

Parece que o mundo está acabando um pouco a cada dia.

Nós aqui na terra dos Brazucas acompanhamos os episódios sempre surpreendentes da série “A Casa de Cartas dos Mortos-Vivos”, uma genial trama política com zumbis exibida gratuitamente em todas as mídias.

Nos Estados Unidos , todo dia algum comentarista repete a clássica frase : – “Nunca antes na história desse país”, para qualificar a mais recente trapalhada do presidente apresentador de reality show. Na Europa a marcha para a insanidade deu um tempo na França, mas promete novas investidas no Reino Unido e na Itália.

No meio desse tiroteio de notícias cada dia mais inquietantes, mal dá espaço dos jornais noticiarem a passagem para a outra dimensão de artistas que farão falta. Ontem foi Belchior, hoje foi a vez de  Chris Cornell , o maior vocalista de rock dos anos 90, deixar a cena.

Para onde se olhe , do mundo dos negócios ao grupo da família do whatsapp, o que se vê é um futuro escuro e incerto. Tudo o que era certo e sólido, hoje parece decadente e ultrapassado.

Esse cenário de ruína costumava ser um tempo auspicioso para as artes. Porque a arte deveria ser o refúgio, o lugar do pensamento onde se incubam os germes de um novo mundo.

Eu procuro o tempo todo os sinais de uma arte que nos aponte um caminho, que nos mova para a próxima fase da existência humana, mas sinceramente só vejo escapismo.

Moldar as novas sensibilidades que esses tempos líquidos e velozes nos exigem , devia ser o papel da arte nesse momento. Mas ma parece que ainda não está rolando.

Eu acordo todo dia pensando que aquele será o dia onde eu vou encontrar com o disco, o filme , o livro que vai me atingir em cheio e mudar para sempre a minha maneira de ver as coisas. Como já aconteceu muitas vezes na minha vida essa sensação, de um mundo novo se abrir diante de uma obra de arte, mantenho a esperança. Mas está difícil.

Enquanto isso vamos sobrevivendo entre os mortos-vivos, entre coisas que não fazem mais nenhum sentido, aguardando essa fagulha criativa, que um dia desses vai mudar tudo.

 

 

 

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