Nesse momento de permanente transição do mercado musical, vale a pena refletir sobre os efeitos dessa nova era do streaming no imaginário das novas gerações.

Que tipos de lembranças e recordações ela irá gerar?

Andando pelas poucas livrarias que insistem em não se transformar em farmácias, é comum nos depararmos com livros narrando as trajetórias de rádios que fizeram parte da história de várias gerações de ouvintes mundo afora.

Publicações como “A Onda Maldita (Como Nasceu A Fluminense FM)” (de Luiz Antônio Mello), “A Caixa Mágica: Histórias De Vida Pelas Ondas Do Rádio” (do locutor Fernando Mansur) e “Todo Dia É Dia de Peel” (sobre o lendário John Peel, da Rádio BBC) são exemplos desse revival.

Isso tudo nos remete ao que um dia já foi o apogeu da indústria fonográfica: capas de disco conceituais (das gravadoras Blue Note e Elenco), ou eternamente pops como as do Pink Floyd e Led Zeppelin, concebidas pelos art designers da britânica Hipgnosis.

Tudo isso somado a um marketing intuitivo sem precedentes, que transformava bandas e artistas iniciantes de pequenos pubs em estrelas internacionais.

E o que nos reserva o futuro? Sobre o que versarão os novos livros ou e-books?

As playlists se tornarão inesquecíveis, ou tudo não passará apenas de uma simples comparação entre modelos de negócios dos principais players do mercado da era do streaming?

Saem de cena o vinil, as jukeboxes e os cds, e entram em campo os algoritmos e os coaches da inteligência artificial, com suas métricas digitais infalíveis!

As novas tribos se esquecerão assim daquilo que nunca lembraram: das capas dos discos que marcaram sua infância, da loja em que eles foram comprados com o dinheiro de suas mesadas, e do arranhão inesperado no disco dos Beatles em suas festas de 15 anos…

E assim então todos terão chips de memórias e recordações implantados, como em Blade Runner!

Mas, seja qual for o ritmo, seja qual for o andamento, uma única certeza ainda haveremos de ter.

Todos nós falaremos — e ouviremos! — a mesma língua. A música.

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