Acabou a MPBFM, é o começo do fim da música no Rádio?

 

Como já escrevi aqui algumas vezes, sempre rogando a paciente clemência dos leitores, sou um mero aprendiz de colunista.

Mas já aprendi alguma coisa. Por isso, me vejo forçado a tratar do assunto que pulula nos nossos timelines e grupos de mensagens: O fim da MPB FM do Rio de Janeiro.

Nas minhas redes sociais, depois da natural lamentação dos artistas que tinham suas músicas tocadas na rádio, seguiu-se a inevitável choradeira de radialistas e músicos sobre o estado deplorável do dial brasileiro, cada vez mais ocupado por emissoras evangélicas e rádios que vivem da execução paga por jabás inflacionados.

Nenhuma novidade, já vimos isso tudo antes, quando outras rádios que tinham a execução de música como base essencial da sua programação, saíram do ar.

Dessa vez, a relativa novidade nas manifestações de pesar foi a repetição da questão: Há futuro para a música no rádio?

A pergunta se justifica. Porque se a decretação da morte da MPB FM foi súbita, era claro que ela definhava fazia bastante tempo, e com a saúde frágil parecem mesmo estar todas as rádios com programação essencialmente musical, Brasil afora.

É provável que o crescimento dos serviços de streaming tenha alguma parcela de responsabilidade por esse estado de coisas, mas saindo aqui da Terra de Santa Cruz e olhando o panorama do rádio em outras plagas, não vemos esse mesmo cenário de desolação.

A BBC nos últimos anos consolidou o sucesso de uma nova frequência a 6Music, que dobra a aposta na música, as rádios terrestres norte-americanas se uniram para lançar o IHeartRadio, um aplicativo que está entre os mais baixados e levou o rádio aos smartphones. Ou seja, em outros países o rádio musical enfrenta o desafio de se adaptar à nova paisagem de mídia, criando novidades e investindo em novos formatos de interação e produção.

Na Brazucolândia, ao contrário, vemos uma debandada atabalhoada para o formato “talk”, e as poucas rádios musicais que restam parecem paralisadas de pânico diante do fantasma da crise, com playlists cada vez menores, cada vez mais dependentes dos hits que se consolidam nas plataformas gratuitas de streaming. Assim a rádio musical no Brasil vai traçando seu caminho rumo a irrelevância.

Me parece que a grande explicação desse conformismo é o amadorismo da gestão das rádios brasileiras, em sua grande maioria controladas por grupos familiares, que veem rádios apenas como um meio de obter influência política. Mas aos donos desinteressados soma-se uma outra praga, a da falta de ousadia dos profissionais. Seja pelo temor de perder o emprego, seja por absoluta falta de imaginação, são raríssimas as experimentações no Brasil com novos formatos.

Vi, ou melhor, ouvi, duas grandes revoluções no rádio brasileiro iniciadas no dial carioca, as rádios Cidade e Fluminense. Em ambos os casos um pequeno grupo de apaixonados e criativos novatos, redefiniram os padrões da comunicação na mídia.

Uma coisa que se aprende lendo sobre a história das mídias, é que mídias novas nunca matam as antigas, apenas obrigam as estabelecidas a ajustar o seu conteúdo e distribuição a uma nova realidade de comunicação.

O casamento de rádio e música está num momento delicado, admito, mas crises são parte essencial de qualquer casamento, e só se sai delas com disposição para reinventar a relação. Um pouco de ousadia, por favor.

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